Muitos dizem: " O Português é como o pardal, há em
todo o mundo."
Ser imigrante é difícil. Saímos do nosso país à
procura de um futuro melhor. Chegamos a uma terra desconhecida e
batalhamos toda nossa vida por meia dúzia de tostões. E para os
conquistar sujeitamo-nos a qualquer tipo de trabalho. Se for preciso
trabalhamos todos os dias, e às vezes até 20 horas por dia. Forçamos o
nosso corpo até ao limite para termos um pouco mais.
Pode-se dizer que os Portugueses conhecem a palavra "saudade"
melhor que ninguém, porque sempre fomos um povo emigrante. Estando longe
do nosso país, a saudade aperta, então já se sabe, o mês de Agosto é em
Portugal.
O que custa mais é ter que voltar, com o coração na
mão. Olhamos para a nossa família, despedimo-nos com os olhos cheios de
lágrimas. Tentamos esconder a emoção, e dizemos: "Até pró ano…", mas não
temos a certeza que voltaremos. Vamos na esperança de voltar "pró ano",
voltar um dia para sempre. Temos uma ideia fixa: "Ganharmos um
dinheirinho e depois voltarmos definitivamente para o nosso querido país."
Raras vezes isso acontece. Os nossos filhos acabam
criando raízes no país de acolho. Mesmo podendo e querendo voltar para
Portugal, há algo que nos segura: nossas
famílias, nossos filhos e talvez nossos netos.
Ficamos confusos, já não sabemos se ficamos ou se voltamos.
A vida de um imigrante é assim. Não menciono tudo
aquilo que os imigrantes consideram : "O pão que o diabo amassou",
porque muitos de nós, imigrantes, sofremos imenso com a imigração e o
racismo no país de acolho.
Emigração foi uma opção, talvez a única opção. Somos
imigrantes, sofremos as consequências!
Portugal! Um dia eu voltarei…
Sandra Silva