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Aí estão as festas do Espírito Santo! António Vallacorba
Com a ocorrência das recentes festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres em Montreal, segue-se agora o exuberante período de festejos em louvor do Divino Espírito Santo, sem dúvida alguma a manifestação mais querida do Povo açoriano – de Santa Maria ao Corvo e onde quer que se encontrem açorianos: quer seja no Continente ou nas comunidades da diáspora portuguesa espalhada pelo mundo.
São sete os impérios que, com início,
este ano, na primeira semana de Junho e encerramento no fim-de-semana de 5 e
6 de Julho, espalharão por rua e sítios da Grande Montreal, toda esta
exuberante dádiva de partilha, solidariedade, paz, harmonia e fraternidade
que tanto caracterizam esta quadra festiva e que fazem de nós por excelência
o Povo do Espírito Santo. Paralelamente, é o colorido enternecedor dos cortejos das coroas, com a exuberância juvenil e de rainhas com as suas elegantes capas, o som indelével das nossas filarmónicas, a alegria dos arraiais, a comunhão de uma refeição à mesma mesa onde todos são iguais… Para uma comunidade que ao longo dos anos pouca postura política tem tido, pelo menos marcamos uma presença significativa e que, embora não fazendo manchete nos alaridos das grandes ondas da Rádio, nos ecrãs da ubíqua Televisão e nas páginas secas e frias da Imprensa, contudo se mantém viva na intimidade dos corações de todos nós e de quem se deixa contagiar pelo espírito da sua mensagem devocional e humana nas sociedades em que nos inserinos. Como ficou dito, esta devoção à terceira pessoa da Santíssima Trindade é a manifestação que mais irmana os açorianos. E, tal como as ilhas, todas diferentes entre si e com uma beleza muito própria, também os festejos de cada ilha têm particularidades muito específicas e que nada ferem a tradição. É por isso que convém fazer este apelo para que cada império seja visto com um mérito muito próprio, nunca devendo haver ou fazer-se comparações entre eles, deste ser melhor do que aquele. Quem dá do que tem, a mais não é obrigado. Por outro lado, convém também lembrar que nunca é demais tudo fazer para o enobrecimento desta multissecular tradição tão querida das nossas gentes, devendo-se, consequentemente, evitar introduzir-lhe elementos ou "inovações" que possam adulterar a sua pureza.
Montreal 30-5-2003 |