Luz Sombria

Não é o sentir
Nem sequer o pensar
Que dá a ilusão do tempo a passar
Ó vida ingrata e incessante
Sem dó nem pena
Dum ser errante
Nada mais tendo para dar
Ao léu do teu pé
Assim denotas a mágoa
Ao tom do compasso
Ah que além-mar, além-terra
Viera outra vida serena
Outro dilema se encerra
Assim é. Assim é, quem é.
O cujo, o dito do qual é feito
Na lógica se gasta a alma no peito
Pois é.
Ilusões apagadas
Eu creio ou descreio
De coisas passadas, devaneio.
Alumiadas à luz de defuntos sem caras
Vem dar efeito a palavras
Deixando pavor no senso da alma
Da alma penada.

M. Margarida Salgadinho Vicente

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