Vestígios de Portugal no Palatinado                  

                                        

                                                                                  

                                           (Segunda parte – a primeira parte deste trabalho encontra-se publicado no passado mês de Abril)

 

De todas as regiões vinícolas da Alemanha, a região do Palatinado é a maior do país e considerada a maior região vinícola do mundo concentrada num só sítio, com um diâmetro de cerca de 300 km ao longo do rio Reno, sem haver uma interrupção de paisagem vinícola. O clima do vale do Reno iria favorecer o florescimento das videiras do Porto ali plantadas, dado que no Inverno raramente a temperatura baixa menos do que 15 graus negativos.

Na altura, os resultados desta experiência não foram documentados e talvez tenha sido uma quantidade pequena de videiras. Em 1840, entretanto, houve uma maior difusão daquele tipo de videira, trazida por Johann Philipp Bronner da Áustria e Hungria para a Alemanha. Houve sempre laços matrimoniais entre as casas reais austríaca e portuguesa. Daí, a difusão da cultura portuguesa nesses países. Ao produto do cruzamento dessa uva deram-lhe o nome de Blauer Portugieser, Português Azul por causa do tom azulado das uvas. Tanto a videira que a Imperatriz Isabel inseriu no Palatinado, como também a videira que foi difundida na Áustria, Hungria e Slovénia, já não fazem parte do inventário vinícola português.

Um vinho do Porto como nós conhecemos não se conseguiu produzir. Contudo, esta uva produz na Alemanha e na Áustria o melhor vinho rosé –Portugieser Weißherbst- e tinto –Portugieser Rotwein-, que existe no mercado vinícola. O vinho rosé principalmente tem um grande grau de popularidade. Neste momento na Alemanha a produção destes dois vinhos importa na ordem dos 4,3%, ou seja 4.552 ha de toda a região vinícola alemã.

Nos meses de Agosto e Setembro celebram-se as colheitas do vinho no Palatinado nas chamadas Weinfeste, ou seja festas do vinho. Cada aldeia, vila ou cidade abre as suas portas por alguns dias aos visitantes de todo o mundo, oferecendo além do vinho outros produtos típicos da região. A maior parte destas festividades são organizadas pelas associações locais. Da associação de vinicultura à Igreja, até ao clube dos motociclistas, todos organizam a Weinfest. Apesar de haver uma grande variedade dessas festas de vinho, cada uma delas é centro de atracção para milhares de visitantes. Se se perguntar a um desses visitantes o que vai beber num dia tão quente, a resposta vai ser simples: Weißherbstschorle, um copo de ½ litro com metade de gasosa ou água com gás e a outra metade com vinho rosé. Ao observar a lista de preços de bebidas, nota-se que há abundância de vinho. O vinho tem um preço mais baixo do que a água ou outra bebida sem álcool. De todos os vinhos é o Portugieser Weißherbst o que tem a maior popularidade.

Duma oferta portuguesa fez-se uma revolução que influenciou a Alemanha, originando um novo produto e uma nova forma de viver a cultura alemã.

 

                                                                             Ana Maria Ströbele

                                                                             Nanilisboa@aol.com

 

  Página Principal          Editorial          Página 2          Página 4         Página 5