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......Nada de novo em legislar sobre
a imigração se não fossem as manifestações
de protesto de milhares e milhares de trabalhadores indocumentados
nas ruas das principais cidades americanas. Estávamos habituados
à troca estafante de projectos conservadores e liberais,
onde ambos encontram as suas próprias contradições,
fruto dum debate onde predominam os interesses de grupo e não
da questão em si. 
......Os
primeiros, os conservadores, sempre quiseram fechar as portas
à emigração mas precisam de mão-de-obra
barata e os segundos, os liberais, apregoam uma sociedade multicultural
mas onde os baixos salários não são aprovados
pelos sindicatos, uma das suas clientelas eleitorais.
......Desta
vez foi diferente. O impensável aconteceu. Os legislados,
ilegalmente neste país, decidiram vir prá rua e
ter voz activa no debate. Vieram-nos dizer que merecem ser respeitados
e o seu trabalho, documentado ou não, é importante
no presente sistema de produção.
......O
que mudou de então para cá? Primeiro do que tudo,
é o número. Fala-se em mais de dez milhões.
Considerando que suportam fortemente alguns sectores da força
de trabalho, como a agricultura, a construção, os
serviços de alimentação e limpezas, como
vai ser possível mandar toda esta gente para trás
sem afectar aqueles sectores económicos? E como substituí-los?
Como pode uma das mais fortes economias do planeta ter no seu
seio tantos braços-de-trabalho ilegais? Sendo uma economia
devidamente organizada, ela deveria ter as suas contas em dia
e devidamente documentadas e não as ter deixado ao ponto
que chegou, a não ser mesmo que seja um mal-necessário
como parece transparecer.
......Por
outro lado, aconteceu no ainda-país que apregoa e lidera
a globalização, troca livre de mercadorias e de
ideias, que nos levará logicamente ao desaparecimento dos
estados-nações, estruturas criadas com o sistema
económico vigente. No caso de legalizar a mão-de-obra,
temos o contrário: o controlo de fronteiras. E assim, manter
os estados-nações.
......Assistimos
assim não apenas à contradição anterior
entre conservadores e liberais, como também em defender
o desaparecimento dos estados-nações quando se fala
de mercadorias e de ideia e em mantê-los em relação
à mão-de-obra.
Marta Taveira
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