Por esse mundo fora........numa constante procura.       
Edição N.°67 de Maio I 2006

 

......Nada de novo em legislar sobre a imigração se não fossem as manifestações de protesto de milhares e milhares de trabalhadores indocumentados nas ruas das principais cidades americanas. Estávamos habituados à troca estafante de projectos conservadores e liberais, onde ambos encontram as suas próprias contradições, fruto dum debate onde predominam os interesses de grupo e não da questão em si.
......Os primeiros, os conservadores, sempre quiseram fechar as portas à emigração mas precisam de mão-de-obra barata e os segundos, os liberais, apregoam uma sociedade multicultural mas onde os baixos salários não são aprovados pelos sindicatos, uma das suas clientelas eleitorais.
......Desta vez foi diferente. O impensável aconteceu. Os legislados, ilegalmente neste país, decidiram vir prá rua e ter voz activa no debate. Vieram-nos dizer que merecem ser respeitados e o seu trabalho, documentado ou não, é importante no presente sistema de produção.
......O que mudou de então para cá? Primeiro do que tudo, é o número. Fala-se em mais de dez milhões. Considerando que suportam fortemente alguns sectores da força de trabalho, como a agricultura, a construção, os serviços de alimentação e limpezas, como vai ser possível mandar toda esta gente para trás sem afectar aqueles sectores económicos? E como substituí-los? Como pode uma das mais fortes economias do planeta ter no seu seio tantos braços-de-trabalho ilegais? Sendo uma economia devidamente organizada, ela deveria ter as suas contas em dia e devidamente documentadas e não as ter deixado ao ponto que chegou, a não ser mesmo que seja um mal-necessário como parece transparecer.
......Por outro lado, aconteceu no ainda-país que apregoa e lidera a globalização, troca livre de mercadorias e de ideias, que nos levará logicamente ao desaparecimento dos estados-nações, estruturas criadas com o sistema económico vigente. No caso de legalizar a mão-de-obra, temos o contrário: o controlo de fronteiras. E assim, manter os estados-nações.
......Assistimos assim não apenas à contradição anterior entre conservadores e liberais, como também em defender o desaparecimento dos estados-nações quando se fala de mercadorias e de ideia e em mantê-los em relação à mão-de-obra.

Marta Taveira

 

 



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