O
MÍSTICO

Nazilda
Corrêa
........Na história do homem,
o místico representa a tentativa de explicação
da realidade que o circunda, tudo o que ele não é
capaz de explicar, pela insuficiência do seu conhecimento,
ele credita à divindade.
........O entendimento do místico,
aqui expresso, está no modo de busca incessante do homem
às suas origens justificando a finalidade de sua existência.
Ao atribuir à vida significados, o indivíduo ao
mesmo tempo tenta explicar-se enquanto ser no mundo.
Assim, vemos a explicação dos antigos em relação
aos deuses mitológicos, criados a semelhança de
si próprios e de elementos da natureza. O papel do totem
nas tribos primitivas e o surgimento das religiões com
os respectivos códigos de postura, esses, organizadores
da moral e dos costumes. Então, da relação
do homem com Deus surgem as coordenadas das relações
dos homens entre si.
........A compreensão do elemento
místico implica no entendimento do significado presente
na atribuição dos valores e conseqüente linguagem
simbólica. A forma de valoração tem dois
aspectos que vale destacar, um que é o valor real, e o
segundo que trata do valor acrescido, que atribuídos a
pessoas e objetos constitui a linguagem simbólica criada
pelo ser na busca incessante de significados principalmente para
si.
........Assim, por exemplo um anel
tem o significado imediato de adorno, mas, acrescido do valor
simbólico pode significar compromisso afetivo, poder, etc.
........A linguagem simbólica
tem estreita relação com a atribuição
dos valores. Há aí a tentativa de materialização
do sentimento através da linguagem, da comunicação.
Logo, a influência nas formas de expressão do homem
como, por exemplo, na literatura, na música, pintura, escultura,
dentre outras. Enfim, nas artes em geral, apresenta-se de forma
bastante diversificada. A linguagem simbólica presente
nas obras dos artistas ultrapassa a época histórica.
É um movimento que vai tanto a direções opostas
quanto convergentes, mas sempre está presente, desde que
o homem usa da imaginação nas suas explicações
do que vive e sente no cotidiano.
........Dedicar-se a estudar o místico
contempla estudar também o caráter mitológico
e o religioso, que estão sempre imbricados. Fator esse
relacionado ao misterioso, ao não explicado, ligado à
divindade, ou divindades: Deus, deuses, deus-deusa, conforme as
orientações mais diversas, aos países, modismos
etc.
........O elemento místico
contrapõe-se à vivência real, sendo próprio
da vida espiritual ou contemplativa do homem. Apenas algumas doutrinas
compreendem o ser na sua totalidade e os ápices místicos
estão quase sempre ligados às interferências
que desestabilizam o indivíduo, ou seja, aos momentos de
crise. A crise serve de motivo à retomada da relação
homem-divindade, sinalizando a busca pelo equilíbrio perdido,
como é o caso de ocorrências posteriores a calamidades
da natureza ou provocada pelo próprio homem, como, por
exemplo, às guerras.
........O termo místico é
mais abrangente que o termo mítico em virtude da forma
em que as verdades são afirmadas ou negadas e pelo grau
em que a segunda é mais fabulosa do que a primeira, sendo
‘tudo’ uma questão de fé. Mas acredito
que uma e outra são fases de amadurecimento do homem na
tentativa de dar as explicações sobre a sua vida
e morte.
........É válido acrescentar
que na atualidade há forte tendência de relacionar
todas as formas do universo. Todos os elementos da natureza, estariam,
portanto, imbricados. Há que se reconhecer nos trabalhos
recentes essa tentativa da multidisciplinaridade em todos os setores
da vida humana.
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