Castelo de Heidelberg - Alemanha

(Primeira parte)
A revolução da Infanta Isabel
Ao se referir a expansão portuguesa a partir do século XV, pensa-se automaticamente nos descobrimentos e as influências que eles tiveram no contacto com outros povos. Através daquele contacto, não só houve a troca de produtos comerciais, como também uma assimilação mútua de culturas e línguas.
Pelos
lugares que passaram, fossem como comerciantes ou navegadores, os Portugueses
deixaram rastos da sua estada. A maioria dos historiadores realça os contactos
feitos pela via marítima, mas houve contactos que também exportaram a nossa
cultura para outros países sem usarem aquela via. Um desses contactos foi a
oferta da Infanta Isabel de Portugal de videiras de Vinho do Porto para serem
plantadas na Alemanha, na região do Palatinado.
Considerada a melhor escolha pelo Papa Hadrian VI como futura Imperatriz da Alemanha e Rainha de Espanha, era uma oportunidade para Portugal e Espanha assegurarem a paz na Península Ibérica. Ao contrair matrimónio com o Imperador Carlos V, o que veio a acontecer em 1526, a Infanta teria a possibilidade de influenciar um homem que governava o maior império em extensão, população e riqueza, desde Carlos Magno.
Um dos vestígios da presença da Infanta na Alemanha encontra-se no castelo de Heidelberg, na região do Palatinado, no Sudoeste do país. Na margem do rio Neckar e rodeado por montanhas arborizadas, aquele castelo era o domicílio principal dos reis do Palatinado e um dos alojamentos do imperador quando este tinha uma reunião com os reis e condes da região(Reichstag). Numa das salas do castelo encontra-se uma chaminé com dois nomes gravados em latim: Carlos V Imperador da Alemanha e do Território Cristão e Rei de Espanha e a sua esposa a Imperatriz Isabel de Portugal.
Para além de ter sido um casamento coroado de êxito, a Imperatriz Isabel, com a sua oferta, provocou uma revolução na vinicultura local daquela região alemã.
(A influência sócio-económica das videiras do Vinho do Porto no Palatinado será abordada na segunda parte deste trabalho, a publicar no próximo mês de Maio)
Ana Maria Ströbele