Fevereiro 2006
 
Por esse mundo fora........numa constante procura.       
Edição N.° 62 de Fevereiro II 2006
Fevereiro, Mês da Amizade e do Carnaval

António Vallacorba

.Fevereiro é o mais pequeno mês do ano e, em Montreal, habitualmente se mostra ser também o mais azedinho e atrevido nos seus ares de “alguém”, quando nos submete ao desconforto de temperaturas assaz gélidas. Mas nas nossas terras de origem, onde é mais ameno, o povo revestiu-o de costumes muito curiosos, como é evidente pelo colorido do seu folclore.
..........Tal sequência de eventos, muito popularizados através dos tempos (fica por estabelecer até que ponto ainda são hoje recordados saudosamente no seio de muitas das nossas comunidades), tem já início amanhã, dia 2 de Fevereiro, com o Dia das Estrelas e a Quinta-feira de Amigos, seguindo-se a Quinta-feira de Amigas, no dia 9; a de Compadres, no dia 16 e a das Comadres, no dia 23; Domingo Gordo, no dia 26 e, finalmente, o Carnaval, na terça-feira, dia 28.
..........São dias, portanto, que servem para refortalecer os laços de amizade à volta dos populares “assaltos” em casas de amigos e de amigas, em ranchos de mascarados, e onde comem os tradicionais coscorões e sonhos, melaçadas e fatias douradas, tudo regado com vinhos e licores.
..........É sempre com nostalgia que a maioria de nós recordam esses dias “agitados” do nosso viver ilhéu, quer durante os “assaltos”, quer em um dos numerosos grupos de homens e de rapazes percorrendo as ruas a cantar as Estrelas. Éramos, quase todos, portadores dos mais diversos instrumentos musicais: violas, tambores, guitarras, ferrinhos, rabecas e realejos.
..........Na maioria das vezes, cantávamos às portas das casas de familiares e amigos, e, terminada a cantoria, nos convidavam a entrar para degustar a “pinga” da casa.
..........Eis algumas dessas cantigas:

..........Hoje é véspera das Estrelas,
..........amanhã é que é o seu dia.
..........Cantam os anjos no Céu
..........Com prazer e alegria.

..........Não finjais que estais dormindo
..........nem tão-pouco a ressonar
..........Anda cá abrir a porta,
..........Conhecer quem veio cantar!


..........O Entrudo, nos Açores, tem uma feição “aguada” nas batalhas que pelas ruas se disputam, com os intervenientes munidos de seringas, limas de cera (hoje usam sacos plásticos) e/ou com tanques e mangueiras dispostas em camiões, para se molharem mutuamente, sem esquecer depois, à noitinha, as bombas e os rastilhos.
..........Durante a quadra carnavalesca, sobressaem naturalmente os bailes, de que são já bastante célebres os que se realizam no Coliseu Micaelense, Ateneu Comercial, Clube Micaelense, etc., em Ponta Delgada, e, certamente, por outras colectividades de S. Miguel e das demais ilhas.
..........Paralelamente, nas ilhas Terceira e Graciosa vamos encontrar momentos muito altos desses dias, nos desfiles coloridos dos seus bailinhos e danças, tudo repleto de fantasia e imaginação, sátira crítica e espectáculo único, numa celebração secular do povo.
..........Localmente, recordamos com saudade os “assaltos”, realizados na boa tradição do espírito carnavalesco, na casa da minha saudosa amiga, D. Wanda, viúva de Tadeu Rocha, fundador e ex-presidente da Casa dos Açores do Quebeque.
..........Reuniam-se ali, uma dúzia de casais e outras pessoas amigas da simpática senhora e esposo, num ambiente muito amistoso, de cor, música e confraternização, com destaque ainda para os saborosos petiscos e doçaria regionais, “salpicados” com momentos de poesia.
..........Ultimamente, a Casa dos Açores do Quebeque, por intermédio da Laura Cordeiro, tem chamado a si o ensejo de manter entre nós uma certa forma dessas tradições, mormente com a realização da Quinta-feira de Amigas.
..........A boa amizade não fica aprisionada: ela ultrapassa tudo e todos.
..........Estamos consigo!

 


Ana Irpic
Candeias Leal
António Justo

 


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