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Fevereiro,
Mês da Amizade e do Carnaval
António Vallacorba
.Fevereiro
é o mais pequeno mês do ano e, em Montreal, habitualmente
se mostra ser também o mais azedinho e atrevido nos seus
ares de “alguém”, quando nos submete ao desconforto
de temperaturas assaz gélidas. Mas nas nossas terras de
origem, onde é mais ameno, o povo revestiu-o de costumes
muito curiosos, como é evidente pelo colorido do seu folclore.
..........Tal sequência
de eventos, muito popularizados através dos tempos (fica
por estabelecer até que ponto ainda são hoje recordados
saudosamente no seio de muitas das nossas comunidades), tem já
início amanhã, dia 2 de Fevereiro, com o Dia das
Estrelas e a Quinta-feira de Amigos, seguindo-se a Quinta-feira
de Amigas, no dia 9; a de Compadres, no dia 16 e a das Comadres,
no dia 23; Domingo Gordo, no dia 26 e, finalmente, o Carnaval,
na terça-feira, dia 28.
..........São
dias, portanto, que servem para refortalecer os laços de
amizade à volta dos populares “assaltos” em
casas de amigos e de amigas, em ranchos de mascarados, e onde
comem os tradicionais coscorões e sonhos, melaçadas
e fatias douradas, tudo regado com vinhos e licores.
..........É
sempre com nostalgia que a maioria de nós recordam esses
dias “agitados” do nosso viver ilhéu, quer
durante os “assaltos”, quer em um dos numerosos grupos
de homens e de rapazes percorrendo as ruas a cantar as Estrelas.
Éramos, quase todos, portadores dos mais diversos instrumentos
musicais: violas, tambores, guitarras, ferrinhos, rabecas e realejos.
..........Na maioria
das vezes, cantávamos às portas das casas de familiares
e amigos, e, terminada a cantoria, nos convidavam a entrar para
degustar a “pinga” da casa.
..........Eis algumas
dessas cantigas:
..........Hoje
é véspera das Estrelas,
..........amanhã
é que é o seu dia.
..........Cantam
os anjos no Céu
..........Com prazer
e alegria.
..........Não
finjais que estais dormindo
..........nem
tão-pouco a ressonar
..........Anda
cá abrir a porta,
..........Conhecer
quem veio cantar!
..........O
Entrudo, nos Açores, tem uma feição “aguada”
nas batalhas que pelas ruas se disputam, com os intervenientes
munidos de seringas, limas de cera (hoje usam sacos plásticos)
e/ou com tanques e mangueiras dispostas em camiões, para
se molharem mutuamente, sem esquecer depois, à noitinha,
as bombas e os rastilhos.
..........Durante
a quadra carnavalesca, sobressaem naturalmente os bailes, de que
são já bastante célebres os que se realizam
no Coliseu Micaelense, Ateneu Comercial, Clube Micaelense, etc.,
em Ponta Delgada, e, certamente, por outras colectividades de
S. Miguel e das demais ilhas.
..........Paralelamente,
nas ilhas Terceira e Graciosa vamos encontrar momentos muito altos
desses dias, nos desfiles coloridos dos seus bailinhos e danças,
tudo repleto de fantasia e imaginação, sátira
crítica e espectáculo único, numa celebração
secular do povo.
..........Localmente,
recordamos com saudade os “assaltos”, realizados na
boa tradição do espírito carnavalesco, na
casa da minha saudosa amiga, D. Wanda, viúva de Tadeu Rocha,
fundador e ex-presidente da Casa dos Açores do Quebeque.
..........Reuniam-se
ali, uma dúzia de casais e outras pessoas amigas da simpática
senhora e esposo, num ambiente muito amistoso, de cor, música
e confraternização, com destaque ainda para os saborosos
petiscos e doçaria regionais, “salpicados”
com momentos de poesia.
..........Ultimamente,
a Casa dos Açores do Quebeque, por intermédio da
Laura Cordeiro, tem chamado a si o ensejo de manter entre nós
uma certa forma dessas tradições, mormente com a
realização da Quinta-feira de Amigas.
..........A
boa amizade não fica aprisionada: ela ultrapassa tudo e
todos.
..........Estamos
consigo!
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