Fevereiro 2006
 
Por esse mundo fora........numa constante procura.       
Edição N.° 61 de Fevereiro I 2006

Era noite
Teus cabelos negros refletiam a mata, também longa
Dentro do olhar distante
Quase perdido
Afastado do momento
Passava o rio, passava a vida
O desejo, era expectativa

Era noite
Teus olhos escuros, nada diziam
Parecia mais que pensavam
Pra lá da floresta, ali ao redor
E bem em frente, te querendo afogar
Nem nada,
Nem um dissimulado notar

Era noite, ao lado do barulho
E só a música dos bêbados tocava teu gesto
Não teus lábios, também escuros
Que só se davam à bebida
E meu querer, em viagem só de ida

Era ainda noite, quando teu olhar comprido
Passando através do estranho, quase perdido
Encantou a floresta e deixou aquele mundo
Partiu, como fosse naquele rio
Ali em frente, sendo engolido pelo outro
Sumiu, como o Rio Xapuri, dentro do Acre

Comprido teu olhar e eu tão perto
Teu gesto indo, sumindo
Partindo
Com os bêbados, com a noite.
Era dia
E o mundo perdia o encanto.


José Augusto Fontes




Vilma
António Justo
 

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