
A
Cruz com A Cruz - Simbologia e Realidade
2006-01-18
......Na
Itália uma senhora muçulmana conseguiu em primeira instância
ganhar um processo contra a cruz na escola que sua filha frequentava.
O tribunal superior revogou a decisão do tribunal da instância
inferior.
......Em
Portugal, em Abril passado a Associação República
e Laicidade denunciou ao Ministério da Educação
20 casos de cruzes em salas de aula, solicitando a sua retirada. O ME,
sem consultar as comunidades escolares, numa acção de
desrespeito do próprio e de respeito pelo alheio determinou que
as cruzes fossem afastadas.
......Ideólogos
ignorantes e pseudo-iluminados multiculturalistas encontram-se por toda
a Europa em campanha contra a cruz, símbolo dos oprimidos, muitas
vezes instrumentalizada pelo poder religioso, por marxistas materialistas
que se apoderaram da cruz reduzindo-a à cruz comunista do martelo
e da foice, pelos nazis com a cruz suástica ou pelos satanistas
com a sua cruz invertida bem como por aqueles que querem o ser humano
de braços abertos, indefeso e crucificado nas lixeiras dos povos.
Por toda a parte a cruz com a cruz!...
......Os
que hoje proíbem a cruz amanhã proibirão a presença
de deficientes nas festas e não tolerarão os pedintes
nas ruas, onde a cruz é mais visível. Como não
aceitam a própria dor nem o sofrimento que causam também
não aceitarão a cruz. Esta é o símbolo dos
que sofrem e por isso uma provocação. Eles não
se encontram sós. Nela se derribam todos os muros rássicos,
religiosos, culturais e individuais.!... Contra a absolutização
do poder, do direito, do capital, do consumo e mesmo do racionalismo.
Ela relativiza tudo, é também um princípio de dúvida
metódica ao mundo da razão. Ela rasga o véu do
templo, a verdade dos dogmas e a consistência das leis...
......A
reacção agressiva à cruz é consequência
dum modo de vida e dum projecto. Os dançarinos do sonho “multicultural”
actuam com preconceitos contra símbolos cristãos, contra
tudo o que cheire a povo. Querem um Homem mutilado, uma imagem de Homem
de cabeça baixa sem a perspectiva transcendente.
......Uma
vez no poder, já não lhes chega carregar o povo com a
cruz diabólica como até lhe roubar o seu sinal de honra
e de dignidade humana. Eles comem tudo. Eles comem tudo e até
dos restos têm medo, não querem vestígios. Eles
querem para os outros apenas a cruz do trabalho e da desonra e não
suportam a cruz sinal de protesto dos fracos e sinal da sua dignidade.
A tal chegou a arrogância e a ignorância do poder, que nem
sequer os ossos deixa para os seus súbditos. ......Querem
um povo sem espinha dorsal, querem apenas súbditos, querem fiéis
pelintras de joelhos mas alegres e sem memória, distraídos,
à sua porta, à sua procura, à procura do eu ou
da ilusão sem sentido. Por detrás do combate às
duas traves cruzadas esconde-se, por vezes, o medo inconsciente de se
descobrir o próprio arquétipo de si mesmo que é
Jesus Cristo, que é a cruz. Este símbolo não é
indiferente porque pessoal e real e porque pressupõe uma consciência
de ser humano que já não se pode desculpar perante um
Deus distante mas pressupõe um pedir desculpa perante si mesmo,
perante o povo, perante a natureza e perante um Deus pessoal; têm
medo de entrarem no seu íntimo, de descobrirem a imagem protótipo,
a sua realidade também actuante nos outros. Prisioneiros de sistemas
aparentemente lógicos não querem transpor a realidade
do dia a dia e na sua filosofia confundem a meta da vida com a auto-descoberta.
A realidade da cruz aponta para a vida para lá de imagens fixas,
do poder de maiorias ou ortodoxias, tendência ou moda.
......A
Cruz deslegitima todo e qualquer poder do homem sobre o homem....provenha
ele de fonte política, religiosa ou material, seja em nome e
por obra de quem for. Muitos reduzem-na à simbologia dos abusos
praticados em seu nome e ao poder farisaico e presumido duma igreja
extremamente oficial petrina.
António
Duarte Justo
