Janeiro 2006
 
          Por esse mundo fora........numa constante procura.       
Edição N.° 60 de Janeiro 2006


A Cruz com A Cruz - Simbologia e Realidade
2006-01-18

......Na Itália uma senhora muçulmana conseguiu em primeira instância ganhar um processo contra a cruz na escola que sua filha frequentava. O tribunal superior revogou a decisão do tribunal da instância inferior.
......Em Portugal, em Abril passado a Associação República e Laicidade denunciou ao Ministério da Educação 20 casos de cruzes em salas de aula, solicitando a sua retirada. O ME, sem consultar as comunidades escolares, numa acção de desrespeito do próprio e de respeito pelo alheio determinou que as cruzes fossem afastadas.
......Ideólogos ignorantes e pseudo-iluminados multiculturalistas encontram-se por toda a Europa em campanha contra a cruz, símbolo dos oprimidos, muitas vezes instrumentalizada pelo poder religioso, por marxistas materialistas que se apoderaram da cruz reduzindo-a à cruz comunista do martelo e da foice, pelos nazis com a cruz suástica ou pelos satanistas com a sua cruz invertida bem como por aqueles que querem o ser humano de braços abertos, indefeso e crucificado nas lixeiras dos povos. Por toda a parte a cruz com a cruz!...
......Os que hoje proíbem a cruz amanhã proibirão a presença de deficientes nas festas e não tolerarão os pedintes nas ruas, onde a cruz é mais visível. Como não aceitam a própria dor nem o sofrimento que causam também não aceitarão a cruz. Esta é o símbolo dos que sofrem e por isso uma provocação. Eles não se encontram sós. Nela se derribam todos os muros rássicos, religiosos, culturais e individuais.!... Contra a absolutização do poder, do direito, do capital, do consumo e mesmo do racionalismo. Ela relativiza tudo, é também um princípio de dúvida metódica ao mundo da razão. Ela rasga o véu do templo, a verdade dos dogmas e a consistência das leis...
......A reacção agressiva à cruz é consequência dum modo de vida e dum projecto. Os dançarinos do sonho “multicultural” actuam com preconceitos contra símbolos cristãos, contra tudo o que cheire a povo. Querem um Homem mutilado, uma imagem de Homem de cabeça baixa sem a perspectiva transcendente.
......Uma vez no poder, já não lhes chega carregar o povo com a cruz diabólica como até lhe roubar o seu sinal de honra e de dignidade humana. Eles comem tudo. Eles comem tudo e até dos restos têm medo, não querem vestígios. Eles querem para os outros apenas a cruz do trabalho e da desonra e não suportam a cruz sinal de protesto dos fracos e sinal da sua dignidade. A tal chegou a arrogância e a ignorância do poder, que nem sequer os ossos deixa para os seus súbditos. ......Querem um povo sem espinha dorsal, querem apenas súbditos, querem fiéis pelintras de joelhos mas alegres e sem memória, distraídos, à sua porta, à sua procura, à procura do eu ou da ilusão sem sentido. Por detrás do combate às duas traves cruzadas esconde-se, por vezes, o medo inconsciente de se descobrir o próprio arquétipo de si mesmo que é Jesus Cristo, que é a cruz. Este símbolo não é indiferente porque pessoal e real e porque pressupõe uma consciência de ser humano que já não se pode desculpar perante um Deus distante mas pressupõe um pedir desculpa perante si mesmo, perante o povo, perante a natureza e perante um Deus pessoal; têm medo de entrarem no seu íntimo, de descobrirem a imagem protótipo, a sua realidade também actuante nos outros. Prisioneiros de sistemas aparentemente lógicos não querem transpor a realidade do dia a dia e na sua filosofia confundem a meta da vida com a auto-descoberta. A realidade da cruz aponta para a vida para lá de imagens fixas, do poder de maiorias ou ortodoxias, tendência ou moda.
......A Cruz deslegitima todo e qualquer poder do homem sobre o homem....provenha ele de fonte política, religiosa ou material, seja em nome e por obra de quem for. Muitos reduzem-na à simbologia dos abusos praticados em seu nome e ao poder farisaico e presumido duma igreja extremamente oficial petrina.

António Duarte Justo

 

 

 

 


Carlos Lucchesi
António Vallacorba

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