"ÀS
ÁRVORES DA MARGINAL"
(Maputo-Moçambique)

Suas
raízes são mãos em pleno desespero,
tentando agarrar a sua areia,
que o vento traidoramente leva longe.
E O POVO NÃO REPARA EM TANTO
MEDO!
Elas lutam porque não querem
morrer,
numa vida tão precoce e ameaçada,
com seus gritos de angústia ignorada...
E O POVO NÃO VÊ QUE
LHES ESTÃO SUGANDO O SANGUE!
Sua seiva não consegue dar-lhes
alma,
a secura lhes arranca seus "EU"s perdidos
e a chuva não chega para as saciar...
E O POVO PASSA AO LADO SEM OLHAR!
Seus ramos choram lágrimas
sentidas,
seus frutos caem mortos pelo chão,
suas preces ficam assim sem ser ouvidas...
E O POVO NÃO OUVE O SEU CANTAR!
Mesmo sabendo do tempo curto para
viver,
erguem seus troncos ainda a querer ver,
o céu azul desta terra tão bendita...
E O POVO REGRESSA À TARDE
IGNORANDO SEU IMPLORAR!
Vão morrer dignas, de pé,
cheias de orgulho,
com sentimentos profundos de ternura
e com amor transbordando em cada folha...
PARA O SEU POVO COLHER AO ENTARDECER!!!
Clara
Esteves
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Um mini
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escrito por José E. de Sousa
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