GLOBALUZAÇÃO

Nas últimas duas décadas, tem-se assistido a um crescimento acelerado de relações económicas e culturais entre países, beneficiando do uso de novas tecnologias que têm permitido aumentar o movimento de produtos, pessoas e ideias a nível mundial. Portugal, que não pode ficar indiferente àquele crescimento, pode, muito bem, alcançar uma posição privilegiada naquela globalização porque tem capacidade de adaptação, experiência de liderança económica a nível mundial e milhares de emigrantes espalhados por todo o globo.
 

Portugal, através da sua fundação, dos descobrimentos e últimamente da emigração, tem tido necessidade e mostrado facilidade de adaptação a povos com diferentes culturas. Chegados à península Ibérica antes de Cristo, Lusitanos, Romanos, Visigodos, Ibérios, Celtas e Fenícios fundiram as suas culturas ao formar, em 1143, o reino de Portugal, durante os descobrimentos houve o encontro com povos Asiáticos, Africanos e Americanos, e presentemente, existam milhares de portugueses espalhados pelos países mais industrializados, conseguindo assimilar maneiras mais modernas de viver, reagir e pensar.

A adicionar à sua capacidade de adaptação, Portugal goza da experiência de ter sido, durante quatro séculos, um líder económico mundial. Para além de ter feito história como primeiro país europeu a construir um vasto império no oriente, a sua capital, Lisboa, desde o início do século XIV até finais do século XVIII, foi um dos centros comerciais mais movimentados do mundo. Com os descobrimentos marítimos, que tiveram o seu auge na viagem de Vasco da Gama à Índia e de Pedro Álvares Cabral ao Brasil, a expansão portuguesa abriu caminho para onde existia riqueza económica, conseguindo a Europa, sob a liderança do Tejo, o mercado da pimenta, da canela, do ouro e da prata do oriente, e do tabaco e do café do Brasil.

Coincidindo com a queda daquela liderança mundial, iniciaram-se em Portugal os fluxos emigratórios que duraram até aos nossos dias, causando a presença de milhares de portugueses dispersos pelos EUA, Canadá, Venezuela, França, Alemanha, Reino Unido, China, Índia, Austrália, etc. Nos mais variados lugares do globo, encontram-se fortalezas, igrejas, nomes de família, documentos e monumentos que fazem parte do património que Portugal deixou e cada vez mais se enaltece e se dignifica o nome de Portugal nas nossas comunidades de emigrantes. A assimilação, experiência e influência dos emigrantes portugueses nos países adoptivos podem ser as pedras basilares para uma maior abertura e ligação entre Portugal e os países onde aqueles se encontram.

Consequentemente, Portugal pode adquirir novamente, numa economia global, um estatuto de vanguarda entre os países mais desenvolvidos porque tem nos seus pergaminhos uma experiência de cinco séculos de liderança mundial, o seu povo tem-se adaptado a outros povos desde a sua fundação e os seus milhares de cidadãos emigrados podem ser a sua caravela mais importante em direcção à Globalândia.

                                                          Cecília Alves

                                                          Carmélio Rodrigues

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