Setembro 2004
 
         Por esse mundo fora........numa constante procura.       
Edição N.° 32 de Setembro 2004

7 de setembro

........Neste 7 de setembro comemoramos o aniversário da proclamação de independência do Brasil, que teve como marco o grito de D. Pedro às margens do rio Ipiranga.
........É nesta data, que devemos nos questionar: qual o valor dado a essa data atualmente? 7 de setembro é uma data de comemorações ou somente um feriado, cujo motivo passa despercebido? Quantas são as pessoas, hoje, que vão às paradas e desfiles cívicos? Ou melhor, quantas são as cidades brasileiras que consideram importante a realização destas comemorações? Quantas pessoas são capazes de cantar o Hino da Independência do Brasil sem ler a letra ou gaguejar?
........Hoje, poucos gastam tempo estudando e meditando acerca das mudanças ocorridas no Brasil em função de sua independência. Muitas vezes, não nos damos conta de que o processo de separação política entre a colônia brasileira e a metrópole portuguesa não se deu somente no dia 7 de setembro de 1822, mas começou muito antes disso, com o processo de independência começa com o agravamento da crise do sistema colonial e se estendeu até a adoção da primeira Constituição brasileira, em 1824. Segue abaixo um pequeno resumo do processo da independência brasileira, para que possamos meditar sobre a importância dele.
........Revoltas do fim do século XVIII e começo do XIX, como a Inconfidência Mineira, a Conjuração Baiana e a Revolução Pernambucana de 1817, mostraram o enfraquecimento dos Estados Unidos (1776) e a Revolução Francesa (1789) e reforçaram os argumentos dos defensores das idéias liberais e republicanas. Em todo o mundo, crescia a condenação internacional ao absolutismo monárquico e ao colonialismo.
........Nesta época, em Portugal, o excesso de impostos numa época de livre mercado e circulação de mercadorias, fez com que a nação sofresse grande pressão externa e também interna contra o monopólio comercial.
........A instalação da corte portuguesa no Brasil, em 1808, contribuiu para a separação definitiva das duas nações. A abertura dos portos, a elevação da colônia à situação de reino e a criação do Reino Unido de Portugal e Algarve praticamente cortaram os vínculos coloniais e prepararam a independência.
........Com a Revolução do Porto, em 1820, a burguesia portuguesa queria fazer o Brasil retornar à situação de colônia. Em 1821, as Cortes obrigaram Dom João VI a jurar lealdade à Constituição por elas elaborada e a retornar imediatamente a Portugal. O rei português voltou, mas deixou no Brasil o filho Dom Pedro como Regente.
........Pressionado pelas Cortes Constituintes, Dom João VI chama Dom Pedro à Lisboa. Mas o príncipe regente resistiu às pressões, que considerava uma tentativa de esvaziar o poder da monarquia. Na ocasião, Dom Pedro recebeu um abaixo-assinado pedindo que não deixe o Brasil. Sua decisão de ficar foi anunciada no dia 9 de janeiro do ano seguinte, num gesto O episódio passou à História como o Dia do Fico.
........Em 3 de junho de 1822, após recusar fidelidade à Constituição portuguesa, D. Pedro convocou a 1ª Assembléia Constituinte brasileira. Em 1 de agosto, baixou um decreto considerado inimigas tropas portuguesas que desembarquem no país. Cinco dias depois, ele assinou o Manifesto às Nações Amigas, redigido por José Bonifácio. Nele, Dom Pedro assegura "a independência do Brasil, mas como reino irmão de Portugal".
........Em protesto, os portugueses exigem o retorno imediato do príncipe regente. No dia 7 de setembro de 1822, numa viagem a São Paulo, Dom Pedro recebe as exigências das Cortes. Irritado, reage proclamando a Independência do Brasil, às margens do rio Ipiranga, às 16h30. Seu discurso foi "Viva a independência e a separação do Brasil. Pelo meu sangue, pela minha honra, pelo meu Deus, juro promover a liberdade do Brasil. Independência ou Morte!".
........No início de 1823, realizam-se eleições para a Assembléia Constituinte da primeira Constituição do Império Brasileiro. A Assembléia é fechada em novembro por divergências com Dom Pedro I. Elaborada pelo Conselho de Estado, a Constituição é outorgada pelo imperador a 25 de março de 1824. Com a Constituição em vigor e vencidas as últimas resistências portuguesas nas províncias, o processo da separação entre colônia e metrópole está concluído.

Fonte: Miriam Hespanhol

Mcarla

 


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