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N.º 3 Janeiro 2003 |
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Pág.2 "Raskunhos"
Pág.3 "À Volta do Sol"
Pág.4 "Cantinho da Musa"
"É que por detrás de cada língua há uma cultura, e nunca percebi porque é que uma língua há-de afastar as outras"
José Eduardo Agualusa (Entrevista ao Jornal de Letras, Artes e Ideias 1/5/02)
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Mais cedo ou mais tarde, Lusilinha teria necessidade de falar no tema que afecta a maioria dos seus elementos, colaboradores e leitores: emigração. E, pensamos que o presente momento é o mais adequado. Sendo um fenómeno tão velho quanto a existência do ser humano e parecendo muitas vezes incontrolável pelos estados-nações, lá de vez em quando a emigração é assunto de primeira página e abertura de noticiários dos mais afamados meios de comunicação. É o que tem acontecido desde os trágicos acontecimentos do passado dia 11 de Setembro. É necessário que fique bem claro que não existe qualquer relação, de qualquer espécie, entre aqueles acontecimentos e as centenas de milhares de pessoas que se procuram dignificar fora do seu país, sejam elas europeias, asiáticas, católicas, budistas, africanas, judias ou islamitas. Compreendemos e aceitamos que se implementem regulamentos de segurança mais eficientes, mas, por favor, que não se misture o trigo e o joio. Mais do que nunca, é de primordial importância e um acto de liderança manter o pluralismo e o multiculturalismo tão do apanágio das sociedades ocidentais destinatárias de emigração. Já bastam os ventos que sempre sopraram do nosso país de origem. Nos anos sessenta e setenta, em troca das volumosas remessas de divisas, assistimos a uma desafinada choraminga sob a batuta da "saudade". Depois daquelas remessas estarem ameaçadas, descobriu-se o "paladar da saudade": o escoamento de produtos de mais procura popular. Presentemente, recebendo constantemente a visita de mundos e fundos, continuamos com deficientes meios de transportes aéreos e a falta de estruturas para o ensino da nossa língua nas nossas comunidades. Flagelados de temporais globais, concordamos; mas sempre a criar, desenvolver e a comunicar melhores condições de dignificação pessoal, causa que nos levou a deixar o lugar onde nascemos. Esse, de maneira nenhuma o podemos esquecer, mas continuamos a fazer tudo para que a terra dos outros seja também a nossa. Melhor do que ninguém, sabemos que não é tarefa fácil, mas temos a certeza que os nossos filhos sentirão como mãe verdadeira, aquela que é hoje nossa madrasta. Carmélio Rodrigues
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