| Por esse Mundo fora... |
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O Pai Natal de Cecília Alves
O Pai Natal, a figura gorducha, generosa, alegre, com barbas brancas, vestida de vermelho e branco que todos nós estamos habituados a ver pela quadra natalícia, tem origem na Turquia e não na América do Norte, como muitos de nós possamos pensar. Antigamente, segundo a lenda, o inverno era motivo de preocupação para todos os povos, uma vez que trazia tristeza e muitas privações. Como tal, as pessoas apelavam aos deuses que o tornassem menos rigoroso. Este apelo era feito por alguém que visitava as casas com trajes simbolizando o inverno e as pessoas ofereciam-lhe comidas e bebidas para que as suas casas fossem abençoadas. Esta tradição foi seguida pelos ingleses que chamavam a esta figura "Velho Inverno" ou "Velho Pai Natal". Mais tarde, o Pai Natal foi associado a São Nicolau, um bispo bondoso que nasceu na Turquia, no ano 280, morreu com a idade de 41 anos e o seu corpo encontra-se na Itália. Foi venerado desde o início do cristianismo por salvar marinheiros vítimas de tempestades, ajudar os pobres e oferecer presentes às crianças. A sua generosidade deu origem a lendas, segundo as quais ele atirava sacos de moedas de ouro pela janela às famílias mais pobres, donde surgiu a tradição de colocar a meia e o sapatinho na chaminé. Esta tradição espalhou-se por toda a Europa realçando o Pai Natal como distribuidor tradicional de presentes. Na Alemanha puseram-lhe o nome de Sankt Nikolaus, na França Père Noel, na Inglaterra Father Christmas, no Brasil Papai Noël e na Holanda, onde era muito festejado, Sanct Herr Nicholas or Sinter Klaas. Com a chegada de holandeses à América do Norte, no século XVII, Sinter Klaas originou o nome Santa Claus. Todas as referências modernas que remontam ao famoso poema chamado "Uma Visita de S. Nicolau" mais conhecido por "The Night Before Christmas", escrito em 1822 pelo norte americano Clemente C. Moore, onde, para além de mencionar muitas tradições, descreve em pormenor, a célebre figura de um velhote gordinho e alegre transportado por um trenó puxado por renas e que entrava nas casas pela chaminé. No campo musical, Gene Autry (1949) compôs uma canção que se tornou muito popular, "Rudolph, The Red-Nosed Reindeer". Em 1931, uma empresa americana, na sua campanha publicitária de inverno, associou as suas cores, o vermelho e o branco, à figura do Pai Natal, promovendo a sua famosa bebida e tornando o Pai Natal uma figura carismática e conhecida universalmente. Actualmente, a figura simpática e jovial do Pai Natal faz parte das celebrações do natal em diversas partes do mundo. As crianças pedem presentes com antecedência e na véspera do grande dia deixam bolos e leite junto à chaminé para o Pai Natal. Através de publicidade, cartões de natal, decorações e pequenos espectáculos em lojas e centro comerciais, as pessoas são advertidas pelo Pai Natal, figura que se tem transformado num símbolo de consumo bastante excessivo e que pouco se identifica com o seu espírito original de amor, caridade e generosidade. |
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Natal Atlântico de Carmélio Rodrigues
Contavam os antigos da minha freguesia que, muitas e muitas civilizações antes de nascer o Menino Jesus, tinha havido algures uma cidade muito bem organizada. Os governantes mais poderosos daquela época tinham-se reunido e decidido erguer aquela cidade como prova de perfeição humana, onde nada faltasse e fosse exemplo para as restantes cidades. Contrataram os melhores arquitectos, cientistas e engenheiros para determinarem o grande plano urbanístico. Para o executar, milhares e milhares de cidadãos vieram de todas as outras cidades do mundo. Assim foi feito! Todos os hospitais ficaram na mesma rua e as escolas noutra, mesmo ao lado; noutra área da cidade, todos os escritórios ficaram juntos e as fábricas também, mas distantes daqueles; os parques de divertimentos, com os mais modernos inventos, foram construídos muito longe das casas de jogo e de vida fácil. Seguindo a mesma metodologia, as casas dos mais abastados ficaram todas na mesma rua e noutras ruas as dos menos abastados; os restantes, fizeram das ruas suas casas. A cidade tornou-se famosa por ser a mais moderna e civilizada daquela época e foi modelo de prosperidade e progresso a seguir por todas as outras cidades. Tudo correu às mil maravilhas durante dezenas e dezenas de anos, até ao dia que se notou que o plano da cidade perfeita estava incompleto, pois não falava na limpeza das escolas e hospitais, na reparação das estradas, na fabricação de novos produtos e na conservação das casas. Mas não foi difícil colmatar aquela falha. Mandou-se mensagem para os governantes das outras cidades, e estes autorizaram milhares dos seus governados desempenhar as tarefas esquecidas no plano. Marisa foi entre aqueles governados. Filha mais nova da família Medina, saiu da cidade chamada atlântica aos 4 anos de idade. Ao contrário dos pais, das suas duas irmãs e até mesmo da criança alegre e viva que era na cidade que a brotou, Marisa tornou-se uma criança distante, triste e acabrunhada na cidade perfeita. Chorava sempre que o pai a deixava na creche ou pressentia que a mãe ia para o seu trabalho nocturno. Na escola primária, Marisa embirrava com os professores e maltratava as outras crianças, o que lhe causava ser punida constantemente. Ao chegar à puberdade, fechava-se no seu quarto horas sem fim a ver televisão e apenas aos sábados brincava com uma prima, a Patrícia. Ao tornar-se adulta, sem conseguir integrar-se na vida da cidade perfeita, Marisa adaptou-se lentamente às camisas de manga comprida e aos corredores da justiça. Depois de se abrigar várias vezes atrás das grades, falava-se à boca cheia que Marisa podia voltar à cidade atlântica. Sem conhecer vivalma, a língua e os cantos daquela cidade, o que lhe poderia acontecer?! Sentiu medo. Pensando que os decretos liberais a iam proteger, Marisa decidiu engravidar. Quem sabe! Por parir na cidade perfeita, talvez os senhores das leis considerassem o seu caso. Mas não aconteceu. Marisa, com o seu menino na barriga, foi "reemigrada" para a cidade atlântica. Ali, sob os mais estranhos olhares, acusações, marasmo e fantasmas duma cidade sem plano, não reconhecendo a beleza do seu musgo, a firmeza do seu basalto, a doçura da sua lavra e muito tarde para saborear o seu próprio chão, Marisa, a menina que a cidade dita perfeita não tinha deixado parir, arrastava-se agora com o seu menino. Apenas tinha o ventre para se agarrar. E o seu menino, o seu salvador, nasceu! Sem oiro, incenso e mirra, Marisa ofereceu-lhe tudo o que possuía, o mar e a sua brisa. |
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Uma Tradição Natalícia de Filipe Aveiro
O Natal na Madeira é muito lembrado pelas suas festividades populares. Para além da matança do porco, que descreveremos em pormenor, as pessoas juntam-se, e tocando os seus búzios, vão cantando até à missa do parto. Nesta época, para serem saboreados à volta da lapinha, fazem-se o saboroso bolo de mel e as famosas boroas de mel para acompanhar o delicioso anis, já preparado um mês antes. As manhãs do dia do natal, em que se cozinha a deliciosa carne de vinho e alhos, são também muito desejadas e festejadas pelo povo da ilha Madeira. Das muitas tradições natalícias madeirenses, uma que eu acho muito interessante é sem dúvida a matança do porco. Embora a matança ocorra muito antes do Natal, é em preparação para o Natal que se mata o porco. A lembrança desta tradição vem-me dum tempo distante, devido ao facto de estar ausente da Madeira nesta quadra natalícia, já por muito tempo. A matança do porco naqueles tempos era uma operação familiar. Toda a família participa excepto as crianças. Cedo de madrugada começa a preparação: as mulheres na cozinha e os homens no lugar onde a matança vai acontecer, normalmente no quintal. Sempre tive muita admiração pelo marchante, o homem que mata o porco, porque da sua habilidade depende se a morte do porco será menos ou mais dolorosa. Com uma faca de dois cortes, aquele homem precisa ter precisão para chegar ao coração do porco e aí aplicar um corte para que o sangue saia pelo pescoço do animal, e assim morrer. Com o porco morto e o sangue mandado para a cozinha para ser cozinhado pelas mulheres, os homens com ramos de acácia em chama queimam o cabelo ao porco. Depois, a pele do porco é lavada com água e os homens, com pedras, esfregam a pele até ficar branca. Aqui acaba a primeira fase da matança. Os homens descansam e o pequeno almoço é servido, sangue de porco cozido acompanhado com vinho seco. Em seguida, o porco é hasteado pelas pernas traseiras, pronto para ser aberto pela frente. Umas das primeiras coisas a tirar do interior do porco são os intestinos, os quais são mandados para as mulheres, e estas no poço de lavar roupa limpam os intestinos, que são guardados para encher de miudezas e fazer o chouriço. Entretanto, com os homens a cortar o porco e as mulheres a cozinhar, toda a casa está envolvida num processo de produção, cujos resultados aparecem de formas variadas. Numa panela bem quente, a gordura é extraída de algumas febras, o que resulta em banha e as febras em torresmos. Outras carnes são postas em vinho e alhos para depois serem cozidas dois ou três dias mais tarde. A maioria do porco é cortada em pedaços e dividido pela família. A parte do coiro com alguma gordura e febras é posta no sal em vasos de barro para ser consumida durante o período natalício e, se sobrar, durante o ano. |
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Escolher uma Prenda conselhos de Lammy 334 e Carmélio Rodrigues
Escolher uma prenda natalícia para um familiar ou pessoa amiga faz parte da preparação para as festas do Natal. Para além de muitos de nós ter pouco tempo ou não gostar de estar em estabelecimentos comerciais, precisamos ponderar possibilidades financeiras, ter o cuidado de não oferecer algo que a pessoa já possua ou saber os gostos da pessoa a quem vamos dar a prenda. Considerando todas estas dificuldades, resolvemos elaborar uma lista de prendas, acessíveis financeiramente e fáceis de encontrar.
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