Ao mundo os transeuntes pela minha consciência
Por mímicas pré-ensaiadas.
Cada palavra é um bafejo psicofísico
Da memória humana.
Escrever é a mímica dos sonhos sonhados
E os sonhos sonhados
São as fantasias silenciosas da alma
Plagiada por nosso saudosismo involuntário;
Palavras saudosistas são sub-reptícias
E minha autobiografia seria tão pedregosa
Quanto um sermão alterado do Cristo filósofo.
A memória de um homem é a sua pepita nua
E o tempo é o seu ourives,
Mas ambos não coexistem.
Minha consciência é só um mau sonho,
Uma mímica intrínseca no "Verbo";
Minha consciência é a consciência de mais um Adão
Que deu uma espiada discreta no paraíso que ficou para trás;
Minha consciência são os passos que me perseguem,
Mas que nunca me pesarão
Como o dobro ou o triplo do meu peso.