Viagens e aventuras ...

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Introdução às minhas viagens

de José Moniz

Olhei os meus companheiros. Tanto quanto eu, respiravam pesadamente e com sofreguidão. Os seus cabelos caíam empastados sobre as testas cobertas de suor. Limpei o meu com as costas da mão, enquanto dávamos as últimas passadas até ao cume do pico.

As minhas pernas pesavam como chumbo, e doíam. Era o preço da subida íngreme do pico, debaixo do sol quente do meio dia.

Em frente, o mar do sul. Azul ! Do mesmo azul do nosso, o da costa norte.

Olhava-o por segundos apenas, quando um dos meus companheiros gritou:

- Olhem! A Cidade! E apontava com o braço estendido, para baixo, ligeiramente inclinado para a direita.

E então vi-a. A nossa Cidade. Que maravilha! Parecia um quadro tirado das histórias que as pessoas mais velhas contavam, de reis, princesas e fadas, que viviam em lindos castelos, em cidades encantadas.

A cidade estendia-se lá em baixo, com o seu imenso casario, até às montanhas, onde o sol se põe. Parecia deitada num vale, com os picos protegendo-a dos ventos invernais do norte.

Em frente à cidade, lá estava o porto. E que barcos grandes eram aqueles! Não! Eles não se pareciam com os nossos barcos lá do norte. Aqueles eram os tais barcos, que, dizia-se, levavam e traziam pessoas de outras terras, de lugares distantes.

A sede abrasava-nos. A nenhum de nós lembrou trazer água. A fome assolava-nos também. Procuramos a sombra de uma árvore, comemos o pão e os pedaços de queijo de S. Jorge que havíamos trazido, e descansamos por um bom bocado.

Retemperadas as nossas forças, era tempo de palmilhar o caminho de volta ao norte. Dei uma última vista de olhos à cidade, e aos grandes barcos que transportavam pessoas entre os mais exóticos portos do mundo. Começamos a descida do pico, mas o meu pensamento continuava a vaguear perto do que acabara de ver.

Tinha ouvido falar das Furnas, das caldeiras das Furnas, da lagoa das Furnas e do hotel das Furnas, onde se alojavam pessoas vindas de terras longínquas. E tinha ouvido contar a lenda da lagoa das Sete Cidades. Lugares de sonho!

Talvez, um dia, eu molhe as minhas mãos na parte verde, e passeie na areia da parte azul da lagoa das Sete Cidades.

Talvez, um dia, eu veja a água a ferver das caldeiras das Furnas.

Talvez, um dia, eu respire o cheiro forte do café, à volta da Matriz da Cidade, e quem sabe!?... talvez, um dia, eu viaje num daqueles barcos grandes, que transportam pessoas entre lugares lindos, distantes, de sonho.

No momento, o caminho era para o norte.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A cidade estendia-se lá em baixo,

com o seu imenso casario,

          até às montanhas, onde o sol se põe.         

 

 

 

Eles não se pareciam com os nossos barcos lá do norte. 

 

 

 

 

 

Aqueles eram os tais barcos, que, dizia-se,

levavam e traziam pessoas

de outras terras, de lugares distantes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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