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N.º 10 Agosto 2003 |
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Sumário
José Moniz
Ann Marie Matias
Barbosa Tavares
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Mais tarde, quando se chegou ao tempo da "arte de conversar" e a necessidade de saber a língua como requisito de algumas profissões, o ensino do português torna-se mais generalizado. Os tempos continuaram a modificar-se e quem não sabia escrever português não tinha mesmo possibilidades de conseguir a profissão (emprego) que o desafogasse no seu dia-a-dia financeiro. O feitiço virou-se totalmente contra o feiticeiro quando os tetranetos dos privilegiados do primeiro parágrafo, ao criarem uma sociedade baseada numa força de trabalho dependente do saber ler e escrever, não têm outra solução senão decretar a escolaridade obrigatória. Assim, passava a ser uma exigência o que outrora tinha sido privilégio duma minoria. E então, houve mesmo que aprender a língua. Nos salões das igrejas, nos clubes desportivos, nas juntas de freguesia, nas escolas nocturnas, nas explicações particulares, nos conventos, etc. , havia sempre pessoas conscientes que a língua ultrapassa a simples questão de conseguir este ou aquele emprego ou qualquer outra maneira de desenrascar a vidinha. Felizmente, havia os que ensinavam a língua porque a consideravam necessária para uma afirmação social e, muito mais, parte intrínseca duma cultura. Por cá, nas terrinhas ditas da diáspora, temos uma situação semelhante. Graças à boa vontade de muitas e muitas pessoas, ensina-se português nos clubes e associações, nas igrejas e nas escolas nocturnas. Bem hajam as pessoas que têm consciência que, aparte de poder ser um factor estratégico geopolítico ou de criação de lobbies como ainda se sonha na Mãe Pátria, a língua é a nossa própria identidade e de maneira nenhuma a queremos perder. É nesta perspectiva que precisamos de estruturar o ensino da nossa língua nas nossas comunidades de emigrantes e não com interesses dum pequeno grupo expansionista.
Carmélio
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